segunda-feira, 21 de junho de 2010

Problemas de aprendizagem e a auto-estima

Dificuldades na aprendizagem
Medicina Avançada – Sra. Shirley de Campos


Se a criança manifesta dificuldades na aprendizagem, tal poderá ter a ver não com falhas cognitivas (porque a criança até é inteligente), mas com privação de bem-estar emocional. Nessas circunstâncias é imprescindível saber como atuar. A visita a um profissional especializado – um psiquiatra infantil – poderá ser determinante.

identifique a causa

É crescente o número de crianças que não tem um rítmo de aprendizagem proporcional ás suas capacidades. Estas crianças não só têm dificuldades de adaptação à escola como são suscetíveis de perturbar o ambiente escolar e prejudicar o aproveitamento e bem-estar das restantes.
Na maior parte dos casos o que, efetivamente, está em causa é um desequilíbrio emocional que permita disponibilidade interior para manter vivo o desejo e o prazer de aprender.

O valor do afeto

Sabemos que a inteligência é, até um certo ponto, um patrimônio herdado dos pais. Cada criança tem um perfil heterogêneo com pontos fortes e fracos; por exemplo: há crianças que têm mais facilidade no raciocínio abstrato verbal, outras na área de organização espaço-temporal, etc. É por essa razão que as crianças têm potenciais diferentes: umas são melhores em línguas, outras em artes e outras em ciências e tecnologia.
Sabe-se, contudo, que os fatores que determinam a possibilidade de desenvolver esse potencial inato são:
· peso da estimulação afetiva (familiar, social, cultural)
· o tipo de experiências que a criança vive com quem lhe está mais próximo

A importância da auto-estima

Em idade escolar a capacidade de aprendizagem é uma das primeiras a ficar afetada sempre que haja uma perturbação emocional da criança. Dois tipos de perturbação emocional podem ocorrer:
· transitória – como alterações reactivas a circunstâncias sentidas como adversas, como o nascimento de um irmão ou a separação conflitual dos pais
· permanente – quando as dificuldades são mais estruturais

A maioria destas crianças têm estruturas depressivas do seu funcionamento psíquico, isto é, são:
· desvalorizadas na sua auto imagem (são vulgares expressões do tipo: “sou burro”, “não sou nada bom”, “não faço nada bem”)
· inseguras (são vulgares expressões do tipo: “não sei se consigo, faço isto ou faço aquilo?”)
· têm pouca tolerância à frustração, desistindo rapidamente à primeira contrariedade ou respondendo agressivamente contra os outros,
· antecipam negativamente as situações escolares, sobretudo de teste ou avaliação formal (são vulgares expressões do tipo: “vou falhar, amanhã não vou conseguir”),
· têm dificuldades em interpor pensamento entre o sentir e o agir, pelo que a alteração dos comportamentos (instabilidade, hiperatividade ou agressividade ou, mais raramente, pela inibição e retirada) é a melhor imagem de marca desta situação.
Estão assim criadas as condições para um círculo vicioso negativo, já que as dificuldades na escola reforçam a má imagem que as crianças têm de si próprias. Se a isto juntarmos ainda a ansiedade dos pais, que também aumentam nos filhos a idéia de não estar respondendo às suas expectativas (são vulgares expressões do tipo: “será que eu sou o filho que os meus pais gostavam que eu fosse?”), temos completamente traçado o quadro habitual a que se assiste.

Reforce-lhe a segurança

Dê atenção a dois caminhos que se seguem e certifique-se de que faz tudo o que está ao seu alcance para proporcional ao seu filho condições para seguir o segundo.

· A sensação de não ser gostado –> insegurança –>maior dependência emocional –> a regressão, o desejo de regredir, estagnar ou, então, o medo de conhecer, o desejo de ignorar, esquecer ou, em caso último, destruir, morrer
· A sensação de ser gostado, amado –> segurança –>autonomia –> gosto de descobrir, conhecer–> desejo de crescer, pensar, sonhar, criar, viver


Fonte: NOVA ESCOLA on-line


Você não precisa fazer mágica
para elevar a auto-estima dos seus alunos.
Basta fazer o que sabe: ensinar


Graziella Beting

O que são realmente as dificuldades de aprendizagem?

Fonte: Centro de Referência Educcional
Vera Lúcia Camara F. Zacharias

A literatura sobre as dificuldades de aprendizagem se caracteriza por um conjunto desestruturado de argumentos contraditórios.
Apesar do conceito de dificuldades de aprendizagem apresentar diversas definições e ainda ser um pouco ambíguo, é necessário que tentemos determinar à que fazemos referência com tal expressão ou etiqueta diagnóstica, de modo que se possa reduzir a confusão com outros termos tais como “necessidades educativas especiais”, “inadaptações por déficit socioambiental” etc.,.
Podemos assinalar como elementos de definição mais relevantes:
  • A criança com transtornos de aprendizagem tem uma linha desigual em seu desenvolvimento.
  • Seus problemas de aprendizagem não são causados por pobreza ambiental.
  • Os problemas não são devidos a atraso mental ou transtornos emocionais.
Em síntese, só é procedente falar em dificuldades de aprendizagem quando fazemos referência a alunos que:

  • Têm um quociente intelectual normal, ou muito próximo da normalidade, ou ainda, superior.
  • Seu ambiente sóciofamiliar é normal.
  • Não apresentam deficiências sensoriais nem afecções neurológicas significativas.
  • Seu rendimento escolar é manifesto e reiteradamente insatisfatório.
O que podemos observar, de modo geral, em alunos com dificuldades de aprendizagem incluem problemas mais localizados nos campos da conduta e da aprendizagem, dos seguintes tipos:

-Atividade motora: hiperatividade ou hipoatividade, dificuldade de coordenação…..,
-Atenção: baixo nível de concentração, dispersão…,

  1. Área matemática: problemas em seriações, inversão de números, reiterados erros de cálculo …,
  2. Área verbal: problemas na codificação/ decodificação simbólica, irregularidades na lectoescrita, disgrafías …,
  3. Emoções: desajustes emocionais leves, baixa auto-estima …,
  4. Memória: dificuldades de fixação …,
  5. Percepção: reprodução inadequada de formas geométricas, confusão entre figura e fundo, inversão de letras …,
  6. Sociabilidade: inibição participativa, pouca habilidade social, agressividade.
Bem, e daí? Somos professores e os alunos estão em nossas escolas, em nossas classes. O que fazer?
Assumamos com todos os nossos conhecimentos, com toda nossa dedicação, os princípios da normalização e individualização do ensino, optando pela compreensão ao invés da exclusão. Esta é uma visão que tenta superar a concepção patológica tradicional dos problemas escolares que se apóia em enfoques clínicos centrados nos déficits dos alunos e em tratamentos psico-terapêuticos em anexo aos processos escolares.
Partindo da realidade plenamente constatada que todos os alunos são diferentes, tanto em suas capacidades, quanto em suas motivações, interesses, ritmos evolutivos, estilos de aprendizagem, situações ambientais, etc. , e entendendo que todas as dificuldades de aprendizagem são em si mesmas contextuais e relativas, é necessário colocar o acento no próprio processo de interação ensino/aprendizagem.
Sabemos que este é um processo complexo em que estão incluídas inúmeras variáveis: aluno, professor, concepção e organização curricular, metodologias, estratégias, recursos. Mas, a aprendizagem do aluno não depende somente dele, e sim do grau em que a ajuda do professor esteja ajustada ao nível que o aluno apresenta em cada tarefa de aprendizagem. Se o ajuste entre professor e aprendizagem do aluno for apropriado, o aluno aprenderá e apresentará progressos, qualquer que seja o seu nível.
É óbvio a grande dificuldade que os professores sentem quando se deparam com alunos que se lhes apresenta como com “dificuldades de aprendizagem”. Nessa altura do artigo, coloco “dificuldades de aprendizagem” entre aspas, pois, muitas vezes me pergunto, se estas dificuldades são de ensino ou de aprendizagem. Ambas estão juntas, é difícil dizer qual das duas tem mais peso.
O que acontece quando o docente se esquece que a escola é um universo heterogêneo, tal como a sociedade? Devemos ter em mente que nem todos aprendem da mesma maneira, que cada um aprende a seu ritmo e em seu nível. Precisamos criar novos contextos que se adaptem às individualidades dos alunos, partindo do que cada um sabe, de suas potencialidades e não de suas dificuldades.


Didática: fator de prevenção

De acordo com Blin (2005) sem subestimar o efeito de fatores externos à escola, variadas pesquisas sobre a eficácia do ensino têm demonstrado a influência dos professores e da maneira como conduzem a ação pedagógica, não somente sobre a forma como se dá a aprendizagem dos alunos, mas também sobre o modo com que se comportam em aula. O conhecimento dos processos associados ao ato de aprender e uma prática didática capaz de facilitá-los pode minimizar grande parte dos problemas e dos rótulos colocados nos alunos com “dificuldades de aprendizagem”.
—”Ora, é impossível dar mais atenção para alguns alunos, com as classes lotadas e com o programa que tem de ser igual para todos. Somos cobrados pelos pais, principalmente os das escolas particulares”. (uma professora de 4ª série do E.F I)
Segundo Perrenoud (2001) pode-se duvidar que, mesmo em uma classe tradicional em que se pratica o ensino frontal, que o professor se dirija constantemente a todos os alunos, que cada um deles receba a mesma orientação, as mesmas tarefas, os mesmos recursos. E, coloca três motivos para isto:
  • O professor interage seletivamente com os alunos e, por isso, alguns têm, mais que outros, a experiência de serem ouvidos ou questionados, felicitados ou repreendidos. Pergunta ele: quanto à comunicação não verbal, como ela poderia ser padronizada?
  • Mesmo nessas classes tradicionais, muitas vezes o trabalho é realizado em grupos, e o professor circula como um recurso para atender os alunos.
  • A diversidade dos ritmos de trabalho pode levar ao enriquecimento ou ao empobrecimento das tarefas. Assim, sempre há aqueles que terminam primeiro e têm tempo para brincar, ler, enquanto outros demoram para terminar e é preciso esperá-los.
Coloca ainda o autor: “Se considerarmos o currículo real como uma série de experiências, chegaremos, grosso modo, a uma conclusão evidente: o currículo real é personalizado, dois indivíduos nunca seguem exatamente o mesmo percurso educativo, mesmo se permanecerem de mãos dadas durante anos”.
O que Perrenoud deixa claro, é que individualização de itinerários educativos é possível para os professores, pois ao invés de uma individualização deixada ao acaso, “pode ser feita uma individualização deliberada e pertinente dos percursos educativos às diferentes características, às possibilidades, aos projetos e às necessidades diferentes dos indivíduos”.(obra citada)
Alunos que reprovam vários anos na mesma série são mais comuns do que se pode imaginar. Essas crianças sentem que a escola não foi feita para eles e se evadem. Segundo Freire (1999, p.35), “os alunos não se evadem da escola, a escola é que os expulsa”. Quem realmente falhou, o aluno ou a escola? Esses alunos reprovados retornarão no ano seguinte? Uma criança curiosa que está descobrindo o mundo e suas possibilidades não progrediu nada em um ano, dois ou três. . . Isto nos faz questionar o atual sistema de ensino, pois, parece-nos que busca uma produção em série e com isso apenas evidencia as diferenças sem nada fazer por elas.Vários autores, como Sara Pain, Alicia Fernández, Maria Lucia Weiss, chamam atenção para o fato de que a maior percentual de fracasso na produção escolar, de crianças encaminhadas a consultórios e clínicas, encontram-se no âmbito do problema de aprendizagem reativo, produzido e incrementado pelo próprio ambiente escolar. (WEISS et. al, 1999, p.46)
É importante considerar que a escola deve valorizar os muitos saberes do aluno, e que seja oportunizado a ele demonstrar suas reais potencialidades. A escola tem valorizado apenas o conhecimento verbal e matemático, deixando de fora tantos conhecimentos importantes para sociedade.
O sentimento de pertença deve ser estimulado, alguém acuado, jamais vai demonstrar as potencialidades que possui. Tornando o ambiente escolar acolhedor, aceitando a criança como ela é, oferecendo meios para que se desenvolva, já é uma garantia de dar certo o trabalho em sala de aula.
É necessário que os profissionais da educação adotem uma postura ética em relação ao aluno, que assim como eles convivem em uma sociedade excludente.
Portanto, diversificar as situações de aprendizagem é adaptá-las às especificidades dos alunos, é tentar responder ao problema didático da heterogeneidade das aprendizagens, que muitas vezes é rotulada de dificuldades de aprendizagens.

http://educaja.com.br/2008/05/problemas-de-aprendizagem-e-a-auto-estima.html

1 palpites...:

Anônimo disse...

meu filho tem 8 ano e foi conciderado burro o medico do posto falou que meu filho vai ser pedreiro ele nao ira aprender pedreiro profisao digina eu acho mais mas ele ira condinuar sem ler e escrever oque fazer por favor me ajuda

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